A CURIOSIDADE MATOU O GATO


"Vale a pena arriscarmos nossa segurança somente para satisfazer uma curiosidade?
Isso pode não ser uma boa idéia, principalmente quando se trata de algo sobrenatural!"


 


O Relato a seguir é justamente sobre isso!

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O que vou contar aqui aconteceu comigo quando eu arrumei um emprego no ano de 2002 em um shopping de São Paulo (por motivos óbvios não vou falar qual).

Eu estava trabalhando na administração do shopping, que fica na cobertura.
Todo dia na hora de ir embora (sempre depois das 22:00') todos os funcionários estavam cansados e todos queriam tomar o elevador até o piso térreo ou a garagem e com isso o elevador sempre ficava lotado.
As vezes dava quatro viagens até todo mundo conseguir descer.

Eu como sempre tive pressa, nunca esperava o elevador chegar e descia pela escadaria, mas ninguém nunca vinha comigo.
Eu sempre era o único nas escadas na hora de ir embora.
Eu não achava estranho, então nunca perguntei nada e ninguém nunca me falou nada.
Eu só achava que estavam todos cansados demais para descer as escadas.
Bom, já fazia três meses que eu estava lá e sempre na hora de ir embora, lá ia eu pelas escadas.
Num certo dia eu estou descendo e escuto passos vindo lá de cima.
Então eu pensei "finalmente alguém mais viu que as escadas são mais rápidas que os elevadores", e não pensei nada de mais sobre aquilo.

E assim a vida continuou. Nos outros dias, eu continuei descendo as escadas e as vezes os passos apareciam.
Nunca vi quem era, e nunca tinha uma hora ou dia certo, o que me fazia pensar que era alguma outra pessoa.
Até que um dia eu notei que depois que eu sai das escadas e bati a porta de metal (era uma dessas portas de metal contra incêndio que sempre batem quando a gente passa por elas, fazendo um grande estrondo) ninguém saiu depois.
Eu continuei andando devagar, na curiosidade de ver quem era que descia as escadas, só que ninguém saiu.
Eu fui andando por toda a extensão do corredor e nada, e olha que era um corredor bem grande. Ninguém saiu.
E se fosse alguém que estava indo para a garagem, teria que sair da escadaria que vinha lá de cima e entrar na escadaria que ia para a garagem, porque elas eram separadas.

Aquilo me deixou curioso. Nos dias seguintes eu descia as escadas esperando os passos aparecerem para ver quem era e nada, nenhum barulho a não ser os meus próprios passos.
Depois de duas semanas eu finalmente ouvi os passos na escadaria e resolvi ir mais devagar para ver quem era, só que no que eu diminuía o meu passo, o outro passo (o misterioso) começou a ir mais rápido e de repente começou a correr.
No que eu ouvi o barulho do outro passo correndo, eu disparei escadaria a baixo.
No que eu cheguei no piso térreo em frente à porta de saída o som do outro passo estava vindo do lance de cima, logo depois que a escada virava.
Eu abri a porta e me joguei lá pra fora e sai correndo.

No meu desespero nem vi o homem da limpeza. Passei por cima dele e nós dois fomos pro chão.
Eu olhei para a porta fechada esperando ela se escancarar e sair alguma coisa de lá de dentro, mas nada saiu, a porta continuou fechada.
O homem da limpeza era um senhor com uma idade já avançada, com os seus quase 70 anos, e era um dos funcionários mais antigos do shopping.
Depois que eu sai de cima dele e o ajudei a levantar ele viu como eu estava ofegante e com os olhos arregalados olhando para a porta.
E nada nem ninguém saia por ela. Ele pegou no meu ombro e falou: "Filho as escadas não são um bom lugar para você ficar brincando".
Então eu falei que só estava indo embora e estava com pressa, por isso tinha descido correndo.
Ele olhou no meu olho e falou: "A escadaria não é um bom lugar para você, e você não deve brincar nela".
Eu perguntei porque as escadas não eram um bom lugar pra mim e ele simplesmente me olhou, soltou uma risadinha feito essas de pai de santo de televisão e falou "he he he he. Elas não são lugar para você, meu filho. Você só precisa saber disso.
Agora vai pra casa. he he he". e ele continuou com a vassoura dele pelo corredor.

Eu achei aquilo meio estranho e fui para casa. No dia seguinte eu estava com a coragem renovada e a curiosidade era maior que o medo.
O dia todo sempre que eu tinha que descer ou subir, ia pelas escadas, só que agora elas estavam com gente subindo e descendo também.
Na hora de ir embora tinha aquela multidão em frente do elevador.
Eu olhei para a escada e lá estava ela, me esperando, vazia, fria, silenciosa.
Então eu abri a porta coloquei a cabeça lá dentro, dei uma olhada, e nada. nenhum barulho.
E lá fui eu descendo num passo normal, nem devagar e nem rápido, com o coração batendo rápido, a boca seca, o ouvido atento a qualquer barulho. Mas eu desci a escada inteira e nada. Nenhum barulho. No dia seguinte a mesma coisa. E assim foi por mais uns dias.
Depois de quase um mês do ocorrido, já tinha esquecido de tudo, já descia as escadas como se nada tivesse acontecido.
Até que um dia lá estava eu descendo a escadaria relaxado desatento e de repente "tof".
No que eu ouvi o barulho meu coração disparou, minha boca secou, e um comichão correu pelo meu corpo inteiro.

Depois veio outro "tof". Era o mesmo barulho. Parte de mim falou "CORRE DESGRAÇADO! CORRE FEITO VOCÊ NUNCA CORREU NA VIDA!!! CORRE!!!" mas a curiosidade foi maior.
A única coisa que eu consegui fazer foi me agarrar no corrimão para não sair correndo.
E os outros passos começaram a ficar mais rápidos.
No que eles chegaram no lance de cima do que eu estava, do outro lado da parede, o meu coração foi parar na boca.
Meu corpo inteiro gelou, não sabia se era o ambiente que estava gelado ou se era só o meu corpo, mas parecia que eu estava num cubo de gelo.

A minha respiração parou, e tudo isso só de ouvir o barulho no lance de cima.
Eu pensei "é agora, seja o que for vai aparecer agora" e no que o barulho chegou na esquina, tudo apagou.
Só me lembro de ter ficado tudo escuro e um silêncio mortal.
Eu não via nada, não ouvia nada e o pior é que não sentia nada. Parecia que eu estava dormindo.
Mas a minha cabeça estava acordada e eu estava começando a entrar em pânico.
Depois de um tempo, eu comecei a sentir o tato de novo, as minhas costas estavam frias, e a minha cabeça doía atrás.

Um brilho começou a aparecer bem devagar, só que não era centralizado, parecia vir de todo lugar.
Foi quando eu notei o que estava acontecendo. Eu estava deitado na frente da porta, do lado de fora da escada.
O frio nas costas era do chão de mármore, a luz no olho era a luz ambiente que o meu olho estava começando a captar de novo, aos poucos.
Quando eu consegui, me levantei meio zonzo e sentei num banco que tinha perto.
A dor atrás da cabeça era tão forte, parecia que alguém tinha simplesmente me jogado lá, e quando eu caí atingi o chão com a cabeça.
Como eu tinha parado lá eu não tinha idéia, só sei que eu estava no segundo andar quando tudo aconteceu.
Olhei no relógio e não fazia nem 5 minutos que eu tinha saído do escritório (pra mim pareceu quase uma hora o tempo que eu fiquei apagado).
Basta dizer que eu nunca mais desci a escada na hora de ir embora.
Um dia eu encontrei o homem da limpeza e ele falou pra mim num tom meio sarcástico: "Eu falei que a escada não era lugar pra você! he he he".

Outra coisa estranha foi que eu nunca falei pra ninguém o que tinha acontecido lá, mas ele sabia.
Quando eu comecei a tomar o elevador, o pessoal do escritório olhava pra mim com uma cara de "finalmente tomou juízo".
Mas eu nunca falei disso com ninguém de lá e ninguém nunca me falou nada sobre aquela escadaria, a não ser o homem da limpeza, e tudo o que ele falou foi o que eu coloquei aqui.

Eu nunca cheguei a ver o que era que fazia o barulho, mas o que aconteceu foi o suficiente para matar a minha curiosidade.
Agora eu sei o que significa aquela expressão "A curiosidade matou o gato".



Marcos - São Paulo - SP - Brasil