Essa história é real. Os eventos que ocorreram aqui são algo que eu e o meu
tio nunca vamos esquecer.
Eu tenho agora 27 anos e essa história ocorreu quando eu tinha 19. O meu tio
também tinha 19 na época. Meu tio e eu crescemos juntos no interior de Goiás. Eu
não gostaria de dizer o exato local (por razões pessoais) no momento. Nós
morávamos a dois quilômetros e meio de um rio que passava pelo meio de uma
floresta. O único meio que se podia chegar no rio no ponto onde nós sempre íamos
era a pé, bicicleta, cavalo ou por moto.
Enquanto crescíamos, nós íamos quase todo dia para a floresta para pescar no
rio. Depois de um tempo nós começamos a acampar por lá também. Certo dia, nós
dois estávamos esperando um amigo de fora da cidade aparecer. Esse amigo
geralmente vinha nas tardes de Sexta e passava o final de semana conosco e
eventualmente vinha acampar com a gente. Infelizmente dessa vez ele não pode
vir. Meu tio e eu então fomos para a floresta carregando os nossos equipamentos.
Nós não fomos para o ponto da margem do rio que nós geralmente íamos dessa vez,
nós fomos um pouco mais adiante , cerda de meio quilômetro, só para uma mudança
de cenário.
Mais tarde naquela noite nós nos arrependeríamos dessa decisão.
Nós escolhemos aquele lugar porque era alto, cerca de 100 metros acima da margem
do rio, e tinha a forma de uma ponta. Três dos seus lados desciam até o rio onde
ele fazia uma curva e deixava o lugar parecendo uma ilha, só com um lado (atrás)
sem estar cercado pela água, então tinha uma bela vista durante o dia.
A noite começou como qualquer outra das nossas viagens de acampamento. Nós
juntamos madeira o suficiente para a nossa fogueira ficar acesa a noite toda.
Enquanto o sol se punha nós nos sentamos e conversamos sobre várias coisas. Nós
conversamos por horas. Era provavelmente entre 11pm e meia noite quando o
inesperado começou a acontecer. Nós tínhamos acabado de nos deitar e estávamos
nos enrolando nos nossos sacos de dormir quando nós ouvimos "CRAC". Era como se
alguém ou algum bicho tivesse quebrado um galho. Nós não demos muita importância
para isso. Nós só imaginamos o que podia se e começamos a nos arrumar para
dormir de novo.
Quando estávamos quase dormindo ouvimos de novo "CRAC". Esse tinha sido bem mais
alto, e um pouco mais perto do que o outro, provavelmente 1/3 do caminho até a
base de um dos lados que desciam até o rio. Nós não nos preocupamos muito, já
que tínhamos uma escopeta calibre 12 conosco e bastante munição. Mas nem preciso
dizer que nós não queríamos dormir agora, porque se tinha algum bicho selvagem
subindo na direção da gente a ultima coisa que queríamos, era estar dormindo.
Nós dois nos levantamos e colocamos mais madeira na fogueira. Me tio iluminou
com a lanterna todos os lados da descida e atrás de nós. Não vimos nada.
Decidimos conversar um pouco antes de tentar dormir. Meia hora passou. Nós
estávamos pensando em deitar quando ouvimos o que parecia ser passos e os
arbustos chacoalhando. Também notamos vários barulhos, como se fosse galhos
quebrando. Agora estava um pouco mais perto. Nós achamos que estava na metade do
caminho da descida. Nós simplesmente ficamos ali parados escutando e iluminando
toda a nossa volta com a nossa lanterna.
O som estava ficando cada vez mais alto e perto. Estava se movendo como um
esquilo, mas era tão barulhento quanto um cavalo. Parecia que estava dando a
volta onde estávamos. Não só isso, mas estava ficando cada vez mais rápido e
cada vez mais perto do nosso acampamento com cada volta que dava.
Meu tio pegou a escopeta, já que não sabia mais o que fazer. Eu peguei a
lanterna e iluminei exatamente onde nós estávamos ouvindo o barulho, mas não vi
nada. Tudo o que podíamos ver eram folhas voando e arbustos se mexendo como se
algo estivesse correndo entre eles. Nós tentamos não entrar em pânico, mas nós
sabíamos que isso não era algo terreno. Meu tio mirou numa área que estava a uns
20 metros da gente, onde eu estava iluminando agora, e atirou. O barulho e a
movimentação parou imediatamente. Nós nos sentimos um pouco relaxados, mas
estávamos chocados. Nós conversamos sobre o que poderia ser, e se tinha a
possibilidade de ser algum animal. Nós dois concordamos que não podia ser nenhum
animal que conhecíamos.
Depois de meia hora começou de novo. Começou lá embaixo perto do rio e começou a
rodar de novo o acampamento e a chegar bem perto de nós. Dessa vês nós tentamos
não atirar o máximo de tempo possível. O som chegou a 10 metros de nós e o meu
tio atirou de novo. De novo, tudo ficou em silêncio. E o resto da noite foi
assim. A cada meia hora, o barulho começava de novo, lá de baixo.
O que quer que fosse, não podia ser visto, mas o efeito daquilo no ambiente
podia ser visto e ouvido. Duas vezes o meu tio deixou aquilo chegar a menos de 5
metros de nós, antes de atirar, mas mesmo assim não conseguimos ver nada. E
sempre começava de novo a cada meia hora, até a aurora. Até hoje eu estou meio
confuso. Nós contamos para varias pessoas sobre o que aconteceu mas para saber
realmente como foi, você tinha que estar lá. Nós não dormimos naquela noite e
também nunca mais voltamos lá. Meu tio e eu conversamos sobre isso muito de vez
em quando. Entre nós dois e algumas pessoas que nós contamos o que aconteceu
ali, aquele ponto do rio ficou conhecido como "o ponto do diabo". Eu gostaria de
saber o que era que tinha lá. A única coisa que nós comentamos sobre aquilo era
que nós agradecemos por estar com uma arma, e nós sempre imaginamos o que
poderia ter acontecido se tivéssemos apenas ficado sentado lá sem fazer nada.
Agora eu moro longe de onde aconteceu isso tudo, mas planejo voltar para lá no
ano que vem. Eu gostaria de mostrar para algum grupo de investigadores onde
aquele lugar é. Mas eu não ficaria lá de noite.
Nelson - Anápolis - GO