A história que vou contar aqui é verdadeira e se passou com minha irmã e seu
ex-namorado.
Era madrugada. O ano era 1993. Havia aqui em Belo Horizonte uma casa noturna
chamada Bar Nacional a qual minha irmã Patrícia e seu ex-namorado costumavam ir.
Eu também gostava muito de ir lá com minha irmã mais nova, Andréia. Patrícia,
naquela época, não morava conosco, portanto dificilmente sabíamos do paradeiro
dela. Quando ela voltou a morar com a gente aqui em casa, numa certa ocasião,
ela se lembrou de um fato muito estranho ocorrido com ela numa dessas noitadas.
Eles dois voltavam para casa quando de repente se deram conta de que estavam sem
dinheiro e que precisariam passar em um caixa eletrônico próximo pra poder sacar
uma grana e voltar pra casa numa boa. A sorte é que havia uma agência do Banco
Real próxima. Chegando lá, estava tudo escuro, dando a impressão de que não
havia nenhum segurança por perto e de que o caixa 24 horas não estaria
disponível. Os dois acharam estranho mas mesmo assim entraram. Minha irmã se
lembra muito bem que introduziu o cartão magnético no caixa eletrônico. Acontece
que o sistema travou completamente e aparecia, segundo ela, uma mensagem na tela
solicitando a introdução do cartão. Ficaram muito tempo lá realmente tentando
entender o que tinha acontecido. Não seria possível algum segurança estar
fazendo qualquer tipo de brincadeira tentando assustá-los? Ela preferiu não
pensar nisso, eu creio. Quando de repente as luzes se acendem e aparece um
segurança com um ar muito estranho. Um cara muito sério e com uma fisionomia
muito esquisita. Patrícia e Otávio não se sentiram bem depois que esse cara
apareceu. O que mais os assustou foi o fato de o cara já chegar e ir logo
dizendo o que tinha acontecido. "Seu cartão está na sua bolsa", disse ele para
minha irmã. Patrícia e Otávio se olharam com ar de deboche e começaram a rir da
cara do segurança achando que o cara indiretamente estava chamando os dois de
loucos. O homem parece que não tinha gostado muito da reação dos dois e falou
novamente em tom ameaçador: "seu cartão está na sua bolsa". Os dois ficaram
furiosos com o despautério do segurança e começaram a discutir com o mesmo.
Minha irmã jamais podia imaginar que teria cometido o erro de querer sacar o
dinheiro sem introduzir o cartão na máquina. Ela jura que isso nunca iria
acontecer, pois a primeira coisa que se faz em um caixa eletrônico quando se
quer sacar é introduzir o cartão. Com certeza tem uma coisa muito estranha por
detrás disto o qual ninguém sabe o que é. Patrícia e Otávio insistiram tanto
nessa história que o segurança se viu obrigado a abrir a máquina para prová-los
que realmente o cartão não estava lá. E de fato, assustadoramente não estava.
Minha irmã não queria acreditar naquilo. O segurança fechou a máquina e
novamente falou em tom estranho: " o cartão está realmente na sua bolsa". E
desapareceu. Posteriormente os dois deixaram o caixa e minha irmã vasculhou sua
bolsa a procura do dito. E pra susto coletivo, o cartão realmente estava lá.
Quem ou quem fez aquilo ninguém sabe. Aliás esta é uma história que os dois
fazem questão de esquecer.
Antonio Nogueira Neto - Belo Horizonte - MG