O MISTERIOSO RELÓGIO
DE PAREDE


"Poderia um simples e antigo relógio de parede prever o futuro e avisar as pessoas ao seu redor do que estaria por vir?"


Segundo o relato a seguir, isso pode acontecer!

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No ano de 1927, Luciano, um jovem de vinte e sete anos, solteiro, e que trabalhava como marceneiro, adquiriu de um amigo em pagamento de uma dívida, um belíssimo relógio de parede, com pêndulo, desses que tocam.
Ele se afeiçoou muito ao relógio, morria de ciúmes e sempre o colocava bem no alto da parede para que ninguém mexesse, só ele.
Luciano, observando o relógio, notou que toda vez que estava para acontecer alguma coisa, geralmente um acidente de trabalho, o misterioso relógio parava como que para avisá-lo.

Luciano casou-se em 1932 e teve três filhos.
O primeiro faleceu com poucos meses, a segunda, Neide (mãe da pessoa que está contando a história) e Osvaldo.
Quando esse menino era pequeno o relógio parou e todos se assustaram esperando alguma notícia que acontecia sempre depois de dois dias.
Desta vez, Luciano sofreu um acidente de trabalho e perdeu um dedo da mão.
Osvaldo cresceu e foi motivo de preocupação para os pais.
Quando criança estava sempre doente, e quando adulto se tornou irresponsável e alcoólatra.
Apesar de tantas fraquezas ele era muito simpático, carismático e possuía mediunidade, mas não aceitava.
Em 1969, quando Luciano ficou viúvo, Osvaldo, que estava separado da esposa, foi morar com ele.
Márcia, neta de Luciano sentia grande afinidade com o avô e como ele ficava sozinho, ela ia muitas vezes fazer-lhe companhia.
Ele era excelente cozinheiro e até hoje ela nunca se esqueceu do aroma de suas comidas, especialmente as sopas.

Em janeiro de 1974 o relógio parou repentinamente às 5:30' da manhã, só que desta vez para anunciar algo muito triste: o falecimento do seu dono, que ocorreu exatamente nesse horário.
Neide, mãe de Márcia herdou o relógio.
Osvaldo casou-se novamente, mas continuou causando problemas para a família.
Mudou-se para Curitiba e convenceu a irmã a acompanhá-Io.
A família inteira foi para Curitiba.
Como a situação financeira dele era precária, todas as despesas foram cobertas pela família.
Depois que eles se mudaram para aquela cidade tudo começou a piorar.
A começar pelo relógio que, após ser colocado na parede da nova casa de Neide, nunca mais funcionou.
Foi levado várias vezes a um conceituado relojoeiro que apesar de ter se esforçado chegando a ficar uma noite até a madrugada tentando consertá-lo,não conseguiu.

O estranho era que o único movimento que os ponteiros faziam era para trás.
O movimento para a frente estava travado.
O relojoeiro não entendia o que estava acontecendo. O jeito foi deixá-lo de lado.
Osvaldo piorava dia a dia ocasionando muitos problemas à família que vivia em pé de guerra sem um mínimo de sossego.
A situação chegou a um ponto que a família se cansou de confusão e cortou relações com Osvaldo, chegando a pedir na justiça o despejo da casa que haviam alugado para ele.

Quando finalmente cortaram o último vínculo com Osvaldo, assinando os papéis, algo curioso aconteceu.
Uma tarde, Márcia, naquela época casada e com dois filhos, estava em casa e sentiu muito sono. Deitou-se e dormiu.
Quando acordou, não conseguia se mexer e começou a sentir um cheiro forte de sopa, não qualquer sopa, mas a sopa que seu avô Luciano preparava e que ela nunca esqueceu o aroma.
Naquela hora sentiu muita saudade dele.
Quando conseguiu se mexer, levantou-se e foi verificar de onde poderia ter vindo o cheiro.
Não poderia ser da casa dos vizinhos, pois as residências eram isoladas e separadas.
Telefonou para a mãe e contou o que havia acontecido e ela sem dizer nada pediu que Márcia esperasse e escutasse.

Passados alguns segundos, ela ouviu o relógio badalar as horas.
Então Neide contou que sentira um impulso para mexer no relógio e que ele, como num passe de máqica, começou a funcionar.
Márcia não se conteve e foi à casa da mãe verificar. O relógio estava funcionando normalmente.
O impulso de Neide ocorrera na mesma hora em que Márcia sentira o cheiro da sopa do avô.
As duas ficaram muito emocionadas com a certeza de que Luciano estivera ali.
Compreenderam que o relógio ficara parado durante um ano e meio advertindo que todos estavam no caminho errado.
Colocaram as casas à venda e em alguns meses toda a família estava de volta a São Paulo.

O relógio, desde aquele dia, nunca mais parou, guardando em si mesmo um mistério que está além da nossa imaginação.

 

 

Márcia Medeiros - São Paulo - SP